Confissões de uma máscara

novembro 5, 2008 at 17:00 (Opinião) (, , , )

Foi bem rápido de ler, e bem curto. Porém, muito pesado, muito depressivo. Apesar de ser uma história bem pequena, é carregada de tristeza, de fardos, de mentiras.

Como o próprio nome já diz, o livro fala das máscaras que o personagem tinha que carregar em sua vida. Claro, todos nós temos que carregar várias máscaras, mas as de Yukio Mishima eram realmente pesadas, e parecia que ele gostava disso. O Japão enfrentava a época da Segunda Guerra Mundial, e o autor relata com detalhes como funcionavam as coisas naquela época, como viviam as famílias, como se davam os relacionamentos entre homens e mulheres, entre familiares, entre crianças, entre amigos.

A história é repleta das coisas que o autor queria e não tem. Coisas que podam sua alma, seu ser, o que ele realmente é. É quase insuportável ler o livro e tentar se colocar no lugar dele, que parece aceitar bem o sofrimento que carrega, quase com prazer. O personagem é masoquista, parece gostar dos fardos que carrega, da dor que sente por não poder expressar seus verdadeiros sentimentos. Tenta viver mentiras com o maior empenho possível, e sempre fracassa. Ele é homossexual, mas em nenhum instante no livro consegue ter o que quer, apesar de falar sobre isso muito intensamente. É angustiante ver que nada dá certo, nada o deixa feliz, ninguém o ampara, ninguém o entende, ninguém pode ajudá-lo, nem ele mesmo, porque ele não se permite isso. Em uma das suas tentativas de adaptação no mundo, ele fala muito a respeito de amor e desejo sexual, e de sua luta para conviver com essas duas coisas de forma harmoniosa, mais um fracasso, mais uma máscara.

O mais interessante é que, apesar de ser uma ficção, a história é baseada em fatos reais do próprio autor, que na verdade se chama Hiraoka Kimitake. Em pesquisas na Internet, descobri que esse mesmo autor já foi indicado ao Prêmio Nobel da Literatura por três vezes, e que até possui um filme que fala sobre sua vida, chamado “Mishima: Uma vida em quatro capítulos”, com trilha sonora de um dos meus compositores preferidos, o Philip Glass. Vou procurar para assistir. Além disso, tentou fundar um exército que relembrava os conceitos do bushido, o código dos samurais, e acabou com sua vida pelo seppuku, o suicídio ritualístico, enfiando uma faca na própria barriga na frente dos soldados que tinha juntado.

Link permanente Deixe um comentário