20º Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2008

dezembro 5, 2008 at 17:00 (Eventos, Opinião) (, , , , , , , , , , )

Desde pequena eu costumo ir à Bienal do Livro em São Paulo, mas nunca ela foi tão desinteressante. Não que as publicações, os livros não sejam interessantes, mas quando eu era pequena os livros pareciam muito mais legais. E, a cada dia que passa, os livros infantis realmente têm se tornado praticamente obras de arte, com conteúdo muito mais completo e interessante do que eu dispunha. Só que agora, esses livros não me interessam mais e, os que me interessam, estão caros. Só quando pagamos nossas próprias coisas é que percebemos o quanto elas são caras.

Acho que o maior problema do livro, no Brasil, é o seu preço. Hoje, por um livro de 200, 300 páginas, paga-se 40 reais, um preço abusivo. Não é à toa que hoje, muitas editoras sofrem com a distribuição de ebooks por toda a internet, muitas vezes trazendo aos leitores os lançamentos muito antes de serem publicados (como é o caso de Harry Potter, por exemplo).

Enfim, a Bienal, por seu volume de produtos e público, é sempre magnífica. É bom ver tantas pessoas que estão lá apenas por um motivo: os livros. Excursões de escolas lotadas de crianças estão por todos os lados, com cada pequeno arregalando os olhos para um livro mais legal do que o outro. De acordo com dados obtidos no site do evento (http://www.bienaldolivrosp.com.br) foram 11 dias, 684 horas de eventos variados, 728 mil pessoas e mais de 2 milhões de livros à venda. Para o meu bem, o bem das editoras e dos leitores, espero que tudo isso tenha sido vendido. A média de livros entre os compradores foi de 4,97, muito bom!

Aproveito aqui para divulgar meu novo blog, o ABRINDO O LIVRO, que fala sobre design de livros… não deixe de visitar!

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Senhores do Norte

novembro 10, 2008 at 17:00 (Opinião) (, , , , , )

Ler livros novos, que fazem parte de uma coleção, é um enorme problema. As Crônicas Saxônicas não são livros novos nos EUA e no Reino Unido, mas ainda assim o autor, Bernard Cornwell ainda não terminou as histórias, o que faz com que tenhamos que ficar esperando pelo próximo volume. Além disso, a editora que detém os direitos do autor aqui no Brasil, a Editora Record, demora muito para traduzir os volumes e publicá-los, o que torna tudo mais demorado ainda.

Nesse volume, Wessex está se segurando em acordos, mas Alfredo já planeja retomar os reinos dominados pelos dinamarqueses, para formar sua tão sonhada Inglaterra. Enquanto isso não acontece, Uthred aproveita para seguir para o Norte, em busca de sua terra natal, a Nortúmbria, e de sua fortaleza que lhe foi roubada. Porém, ao chegar, Uthred encontra uma terra desolada, comandada por Kjartan, um antigo inimigo viking seu, que matou seu querido pai adotivo e levou sua irmã de criação. Uthred resolve se vingar, e para isso consegue a ajuda de Guthred, um escravo que quer ser rei da Nortúmbria. Só que, para chegar ao poder, Guthred trai Uthred, que acaba como escravo de um navio. É a pior parte da vida de Uthred, mas ele consegue escapar e retorna à Nortúmbria, para assombrar Kjartan e conquistar sua fortaleza. Para isso, conta com a ajuda inesperada de alguém que já odiou.

O próximo volume, a Canção da Espada, já foi publicado, mas aí enfrentamos outro problema, o do preço. Mas, como já comecei a ler a saga e gosto muito do autor, irei adquiri-lo quando houver alguma promoção na internet.

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Confissões de uma máscara

novembro 5, 2008 at 17:00 (Opinião) (, , , )

Foi bem rápido de ler, e bem curto. Porém, muito pesado, muito depressivo. Apesar de ser uma história bem pequena, é carregada de tristeza, de fardos, de mentiras.

Como o próprio nome já diz, o livro fala das máscaras que o personagem tinha que carregar em sua vida. Claro, todos nós temos que carregar várias máscaras, mas as de Yukio Mishima eram realmente pesadas, e parecia que ele gostava disso. O Japão enfrentava a época da Segunda Guerra Mundial, e o autor relata com detalhes como funcionavam as coisas naquela época, como viviam as famílias, como se davam os relacionamentos entre homens e mulheres, entre familiares, entre crianças, entre amigos.

A história é repleta das coisas que o autor queria e não tem. Coisas que podam sua alma, seu ser, o que ele realmente é. É quase insuportável ler o livro e tentar se colocar no lugar dele, que parece aceitar bem o sofrimento que carrega, quase com prazer. O personagem é masoquista, parece gostar dos fardos que carrega, da dor que sente por não poder expressar seus verdadeiros sentimentos. Tenta viver mentiras com o maior empenho possível, e sempre fracassa. Ele é homossexual, mas em nenhum instante no livro consegue ter o que quer, apesar de falar sobre isso muito intensamente. É angustiante ver que nada dá certo, nada o deixa feliz, ninguém o ampara, ninguém o entende, ninguém pode ajudá-lo, nem ele mesmo, porque ele não se permite isso. Em uma das suas tentativas de adaptação no mundo, ele fala muito a respeito de amor e desejo sexual, e de sua luta para conviver com essas duas coisas de forma harmoniosa, mais um fracasso, mais uma máscara.

O mais interessante é que, apesar de ser uma ficção, a história é baseada em fatos reais do próprio autor, que na verdade se chama Hiraoka Kimitake. Em pesquisas na Internet, descobri que esse mesmo autor já foi indicado ao Prêmio Nobel da Literatura por três vezes, e que até possui um filme que fala sobre sua vida, chamado “Mishima: Uma vida em quatro capítulos”, com trilha sonora de um dos meus compositores preferidos, o Philip Glass. Vou procurar para assistir. Além disso, tentou fundar um exército que relembrava os conceitos do bushido, o código dos samurais, e acabou com sua vida pelo seppuku, o suicídio ritualístico, enfiando uma faca na própria barriga na frente dos soldados que tinha juntado.

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O Cavaleiro da Morte

outubro 30, 2008 at 17:00 (Opinião) (, , , , , )

Bernard Cornwell é meu autor favorito de livros. Por causa dele, me apaixonei perdidamente pela história do Rei Artur e, posteriormente, por toda a história da Inglaterra e países próximos.

Bernard Cornwell é um historiador renomado que resolveu transformar suas pesquisas em romances desde . Com 54 livros na bagagem, ele já escreveu sobre o Rei Artur (na trilogia Crônicas de Artur), sobre as guerras napoleônicas (na série de – atualmente – 21 livros Sharpe), sobre a busca pelo Graal e, recentemente, está escrevendo as Crônicas Saxônicas, ao qual este livro que resenho agora pertence. Todos os livros possuem personagens fictícios, mas seus enredos e acontecimentos são todos baseados em fatos reais, conseguidos em suas pesquisas como historiador. Isso, na minha opinião, torna o livro muito mais interessante, já que podemos imaginar que as coisas realmente aconteceram.

Nessa série de livros, Cornwell retrata a época em que os saxões dominavam a Inglaterra, a época depois da desocupação romana e do restabelecimento do poder bretão. É engraçado notar como Cornwell modifica nossa “torcida” a cada séria de livros. Na trilogia do Rei Artur, os bretões eram os mocinhos e os saxões eram os bárbaros, a ameaça. Nessa história, torcemos para os saxões, que agora lidam com a invasão dos dinamarqueses.

Esse segundo volume é uma continuação direta do primeiro, com os acontecimentos logo depois do dia que acaba no livro. Diferente do primeiro volume, é uma má época para os saxões que, derrotados pelos vikings, tem de se refugiar no pântano. O personagem principal, Uthred, está divido entre sua lealdade ao rei Alfredo (que agora não passa de um refugiado sem terras e exército no pântano) e seus amigos vikings, que o criaram e agora o chamam para fazer parte de sua vitória. O rei Alfredo, a quem deve lealdade, é um rei erudito e doente, que não gosta de Uthred, mas se vê obrigado a tê-lo em seu exército. Uthred também não gosta de Alfredo, mas devido a algumas alianças, precisa ficar ao seu lado e liderar os homens do rei em uma última tentativa de recuperar Wessex.

Porém, os saxões não se consideram derrotados e, vagarosamente, começam a juntar um novo exército para derrubar o inimigo. Os dinamarqueses são fortes e são muitos, mas os homens que encabeçam o poder começam a disputá-lo de forma prejudicial ao sucesso de sua campanha, e essa é a chance dos saxões. Os dinamarqueses já dominaram todos os outros reinos, como Mércia, Ânglia Oriental, Nortúmbria, e agora querem Wessex. Mas Alfredo ainda não resistiu, e forma um último exército, a última esperança da Inglaterra. A batalha, que fica conhecida como batalha de Etrandun (local real, que existe até hoje), é sangrenta, mas graças à experiência de Uthred e a união dos saxões, Alfredo garante a unidade de Wessex e os dinamarqueses recuam e fazem acordos.

Além do desenvolvimento da história de Alfredo, o livro fala bastante de Uthred. Mais velho e mais maduro, ele se torna um grande e temível guerreiro, mas ainda assim tem que lidar com grandes dilemas, como seu casamento, o nascimento de seu filho, o relacionamento com suas amantes e sua vontade de reconquistar a fortaleza de seu pai, ocupada ilegalmente por seu tio.

Na minha opinião, não é tão bom quanto a trilogia do Rei Artur, mas isso se deve a minha preferência por esta história, mas ainda assim, considero que Cornwell domina muito bem a técnica de fazer romances históricos, o que faz desse conjunto de livros um best seller.

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