Bee Movie

novembro 25, 2008 at 17:00 (Opinião) (, , , , , , )

A melhor idéia desse filme, que não é bem para crianças, foi deixar claro a seu público que a abelha protagonista era não só dublada pelo comediante Jerry Seinfeld, mas também incorporada por ele. Jerry Seinfeld, um dos melhores comediantes dos Estados Unidos, precursor das chamadas stand up comedy, dá toda a sua personalidade e visual à abelha. Para quem o conhece e já o assistiu em seu seriado, fica na cara que o personagem principal de Bee Movie é a versão abelhuda do comediante.

Assim como alguns outros longas animados, Bee Movie não é voltado exatamente para o público infantil. Ele pode até se divertir com as figurinhas engraçadas das abelhas, e com todo o tema cômico do filme, mas a maior parte das piadas possui repertório demais para os pequenos. Perguntas como “Você gosta de Jazz?” em uma hora que a abelha vai falar com uma humana não são feitas para crianças entenderem. Porém, como crianças se divertem com qualquer coisa que seja desenho, talvez essa seja uma estratégia da Dreamworks para deixar os pais mais animados a levarem seus filhos ao cinema, ou a comprar um DVD.

O roteiro também é do comediante, e questiona o trabalho óbvio ao qual todas as abelhas estarão sujeitas durante a vida. Uma metáfora da nossa vida. Quantas pessoas trabalham no que não querem, por razões quase sempre alheias à sua vontade? Quantas pessoas não se formaram médicas porque veio de uma família de médicos, mesmo querendo ser artista plástico? Quantas pessoas deixam de fazer o que querem para ficar trabalhando a vida toda? Em Bee Movie, o personagem central decide que não quer trabalhar no emprego que considera chato, na indústria do mel. Sai em um passeio escondido e acaba conhecendo uma mulher que defende o não-extermínio dos insetos, e salva sua vida. A partir daí se tornam amigos, e a abelha descobre que mel é comercializado em supermercados. Humanos ganham dinheiro com o mel fabricado por elas, e decide voltar à colméia, e convencer seus iguais de que está acontecendo uma enorme injustiça.

Então, as abelhas processam os humanos, e ganham. Mel não pode mais ser utilizado pelos humanos, e o mundo começa a fenecer. Com o excesso de mel que as abelhas possuem, não precisam mais ir atrás de flores, e não ocorre mais a polinização. As plantas morrem e os animais começam a morrer também. A loja de flores de sua amiga é fechada por falta de produtos. A lição que se aprende é que exageros nunca fazem bem.

A animação é uma surpresa, já que alcança padrões de empresas como a digníssima Pixar. Cenas de vôos e de grandes paisagens são muito realistas, mas pessoas ainda não estão na lista de perfeições. A trilha sonora foi fraca, nem consegui prestar atenção a ela, não chamou a atenção.

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Wall•E

novembro 15, 2008 at 17:00 (Opinião) (, , , , , , , )

Apesar de ser quase inteiro sobre robôs, e de possuir pouquíssimo diálogo, Wall E é carregado de sentimento. Impressionante como os produtores souberam trabalhar sem o0 diálogo. Por isso, ouvi muitos dizendo que esse desenho não era exatamente para crianças, o que eu discordo. Wall E não é só para crianças, e nem só para adultos, é pra qualquer um que queira se emocionar e se divertir. Gosto muito de todos os filmes da Disney, mas fazia tempo que eu não via um tão bom quanto Wall E.

A história é linda, e fala sobre amor, amizade, perseverança, esperança. Wall E é um robozinho solitário que coleciona tranqueiras que acha no meio do lixo da Terra, cuja missão é empacotar e compactar. A Terra foi abandonada pelos humanos, pois se tornou inabitável, de tanto lixo e falta de vida. Porém, um dia, a robô de reconhecimento Eve é enviada a Terra em uma missão de rotina, à procura de vida para um possível retorno dos humanos à Terra. Wall E se apaixona por Eve, e a confusão começa. Os robôs não falam quase nada, mas acho que estragaria se falassem. Tudo consegue ser dito por gestos, expressões e sons. Perfeito, como toda a animação, cada vez mais caprichada e mais realista (a poeira que o Wall E solta enquanto anda é demais).

Como é da Pixar, não e de se estranhar que Eve, a robô altamente evoluída, possui design branco e impecável como os produtos da empresa Apple, criadora da empresa. Aliás, li na internet que ela foi especialmente desenhada pelo designer da empresa, Jonathan Ive. Outras coisas lembram a empresa, como o som que Wall E faz quando se põe para recarregar, o mesmo que os computadores Apple fazem quando ligam. Ou então o iPod de primeira geração que o robô utiliza com uma lente de aumento para ver seus filmes antigos.

O final, o letreiro, é um show á parte. Ultimamente, os produtores de todas essas ótimas animações têm se dado ao luxo de deixar os créditos tão legais quanto o próprio filme. Hoje em dia, assistir aos créditos é terminar de assistir ao filme. Em Wall E, a história continua, e as animações passam por desenhos rupestres, hieroglifos, mosaicos, incrível. Tudo é completado pela canção-tema do filme, “Down to Earth”, composta e cantada pelo famoso Peter Gabriel.

Gosto muito de prestar atenção na trilha sonora, e a de Wall E não deixou a desejar. Composta por Thomas Newman e Peter Gabriel, capta a essência de sons robóticos e espaciais, e os transforma em música. A melhor delas é “Define dancing”, da hora em que Wall E e Eve dançam pelo espaço. Toda a emoção do momento, a liberdade, o amor e o espaço foram brilhantemente colocados na instrumental. A trilha também inclui ótimas músicas antigas, como “La vie en rose” de Edit Piaf, cantada por Louis Armstrong. Além disso, todos tiveram muito cuidado com toda a sonoplastia. Pelo que li em RSS na internet, contrataram o mesmo homem que cuidou dos sons de Star Wars para esse filme, ninguém mais apropriado. O resultado é uma mistura de sons engraçadinhos, e totalmente dentro do tema.

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