F.I.L.E.
Para os alunos da nossa turma, o F.I.L.E., Electronic Lenguage International Festival, foi o local mais propício a ser visitado nesse semestre, cujo foco é arte eletrônica. O F.I.L.E. é a maior reunião de artista de arte eletrônica do Brasil, aonde podem ser vistos os melhores na cena nacional e internacional (também acontece em vários outros países, como Japão, Luanda e até uma versão também no Rio de Janeiro). Fomos visitar essa exposição na companhia do professor Fernando Fogliano.
O evento que eu mais senti ter perdido foi a rápida visita do grupo G.R.L, o Graffiti Research Lab a São Paulo. O G.R.L. é uma equipe de pesquisadores que atuam no ramo da arte intervencional, principalmente nas ruas, com intervenções luminosas. Contam com vários projetos de sucesso, que são disponibilizados inteiramente em seu site. Eles passaram rapidamente pelo Brasil, e fizeram algumas apresentações na avenida Paulista. Como inicialmente a idéia do nosso grupo era fazer algo no estilo deles, sentimos por não termos podido entrar em contato com eles.
A parte fixa da exposição, no prédio do SESI, teve a participação de mais de 300 artistas de mais de 30 nacionalidades. F.I.L.E. é um conjunto de vários festivais simultâneos: de música eletrônica, de games, inovações e grafites eletrônicos, além de cinema digital e documental. São várias áreas da cultura digital: arte interativa, games, screening, performances, discussões teóricas e, pela primeira vez, o cinema digital.
Entre as obras mais interessantes estava o LevelHead, de um espanhol. Eram três cubos que recebiam uma projeção. Mexendo os cubos, você mexia um personagem que caminhava dentro do cubo, que imitava um cômodo. Ao fazer o personagem sair pela portinha do cubo, ele aparecia no outro, como um labirinto. O trabalho Connected Memories, da brasileira Anaisa Franco, também era muito bom. Duas cabeças plásticas, com uma pequena tela atrás da cabeça cada uma, emitiam imagens aleatórias, e era permitido enviar suas próprias fotos por bluetooth, que apareciam na tela. Em Magneticos, você se posicionava na frente de uma projeção, e a câmera, captando você, começava a “colar” objetos em seu corpo.
Para relembrar meu projeto do semestre passado, o sistema de automação para casa Solus, a obra Genius Voice era um jogo/instalação interativa aonde, por meio de comando de voz, era possível comandar alguns eventos em uma maquete de casa.
Existe também a área de jogos e de filmes no F.I.L.E. que eu, pessoalmente, não gosto muito. Os filmes, quase sempre são “alternativos” e eu não entendo quase nada do que se passa. Os jogos… os jogos são normais. Com tantas obras diferentes e interativas, que mostram tudo de maneira nova, não acho muito legal ficar no “mesmo”, que eu tenho em casa.
Uma das coisas mais legais de se ver foi a obra “Piso”, da artista brasileira Rejane Cantoni. Foi interessante porque tivemos a oportunidade de conhecê-la pessoalmente em uma palestra dada pelo Senac, e ficamos sabendo da construção dessa obra e de todo o processo que foi trabalhado para que ela estivesse lá, no F.I.L.E. 2008.
O F.I.L.E. 2008 foi uma boa fonte de inspiração para o nosso semestre, e com certeza servirá como base para os trabalhos de muitas pessoas da nossa turma.
Bee Movie
A melhor idéia desse filme, que não é bem para crianças, foi deixar claro a seu público que a abelha protagonista era não só dublada pelo comediante Jerry Seinfeld, mas também incorporada por ele. Jerry Seinfeld, um dos melhores comediantes dos Estados Unidos, precursor das chamadas stand up comedy, dá toda a sua personalidade e visual à abelha. Para quem o conhece e já o assistiu em seu seriado, fica na cara que o personagem principal de Bee Movie é a versão abelhuda do comediante.
Assim como alguns outros longas animados, Bee Movie não é voltado exatamente para o público infantil. Ele pode até se divertir com as figurinhas engraçadas das abelhas, e com todo o tema cômico do filme, mas a maior parte das piadas possui repertório demais para os pequenos. Perguntas como “Você gosta de Jazz?” em uma hora que a abelha vai falar com uma humana não são feitas para crianças entenderem. Porém, como crianças se divertem com qualquer coisa que seja desenho, talvez essa seja uma estratégia da Dreamworks para deixar os pais mais animados a levarem seus filhos ao cinema, ou a comprar um DVD.
O roteiro também é do comediante, e questiona o trabalho óbvio ao qual todas as abelhas estarão sujeitas durante a vida. Uma metáfora da nossa vida. Quantas pessoas trabalham no que não querem, por razões quase sempre alheias à sua vontade? Quantas pessoas não se formaram médicas porque veio de uma família de médicos, mesmo querendo ser artista plástico? Quantas pessoas deixam de fazer o que querem para ficar trabalhando a vida toda? Em Bee Movie, o personagem central decide que não quer trabalhar no emprego que considera chato, na indústria do mel. Sai em um passeio escondido e acaba conhecendo uma mulher que defende o não-extermínio dos insetos, e salva sua vida. A partir daí se tornam amigos, e a abelha descobre que mel é comercializado em supermercados. Humanos ganham dinheiro com o mel fabricado por elas, e decide voltar à colméia, e convencer seus iguais de que está acontecendo uma enorme injustiça.
Então, as abelhas processam os humanos, e ganham. Mel não pode mais ser utilizado pelos humanos, e o mundo começa a fenecer. Com o excesso de mel que as abelhas possuem, não precisam mais ir atrás de flores, e não ocorre mais a polinização. As plantas morrem e os animais começam a morrer também. A loja de flores de sua amiga é fechada por falta de produtos. A lição que se aprende é que exageros nunca fazem bem.
A animação é uma surpresa, já que alcança padrões de empresas como a digníssima Pixar. Cenas de vôos e de grandes paisagens são muito realistas, mas pessoas ainda não estão na lista de perfeições. A trilha sonora foi fraca, nem consegui prestar atenção a ela, não chamou a atenção.
Exposição Star Wars
Como uma boa nerd que se preze, sou fã de Star Wars. Aprendi com meu pai, e quando ficamos sabendo da exposição que estaria acontecendo no Porão das Artes, no Ibirapuera, babamos. Só não babamos no preço, logicamente, que consideramos exageradamente caro. Trinta reais a inteira para entrar é um absurdo.
Enfim, era uma oportunidade imperdível, e meu pai considerou a possibilidade de não estar mais vivo quando isso acontecer de novo, então fomos. Apesar de cara, a exposição foi bem completa. Não vi tudo o que achei que fosse ver, porque faltaram muitas coisas que eu achava importantes. Isso se deveu ao fato da mesma exposição estar acontecendo, ao mesmo tempo, em outros dois países, Bruxelas e Estados, então supus que as peças tenham sido divididas. Li depois que as peças das três exposições não somaram nem 15 por cento de todo o acervo dos filmes que fica guardado em galpões na Califórnia.
Eram mais de 200 itens, entre desenhos e sketches dos filmes, vestimentas, réplicas de naves utilizadas nas filmagens, fotos, armas, bustos, peças. De todos os episódios. O cenário, o apoio produzido para acomodar as peças era bem simples e discreto, pronto apenas para dar destaque às peças. A única infelicidade foi o excesso de vidro utilizado, em conjunto com as luzes. Algumas peças eram impossíveis de serem vistas corretamente, pois eram pequenas e ficavam atrás dos vidros, muito longe. Outras, eram impossíveis de serem fotografadas, por causa do excesso de luzes e reflexos. Aliás, uma vantagem o fato de tudo poder ter sido fotografado, coisa difícil de acontecer em exposições assim, mas acho que pelo valor cobrado, nada mais justo.
Junto com as peças, textos apresentavam explicações e curiosidades a respeito de cada planeta, personagem e desenho. A famosa nave Millenium Falcon, dirigida pelo personagem Han Solo (Harrison Ford), teve sua sua criação inspirada em um hambúrguer. Era interessante também observar a precariedade das fantasias, que ficavam tão realistas depois, na hora dos filmes. Alguns desenhos possuíam comentários a lápis do próprio George Lucas, como “good job” e “well done”.
Alguns dos veículos também estavam em tamanho real, como o pod de corrida usado por Anakin Skywalker no Episódio I, o Imperial Speeder e a sensação da exposição, a nave que Anakin utilizou junto com R2D2. Havia uma holografia do Mestre Ioda, uma uma mesa repleta de várias armas utilizadas em diversos filmes, vários figurinos utilizados pela rainha Amidala, uma maquete impressionante do planeta Utapau, aonde ocorreu o último duelo entre Anakin e Obi Wan Kenobi. Havia também uma sala especial apenas para Darth Vader, com direito ao som característico da respiração do vilão.
Metade do orçamento da exposição foi bancado pela Lei Rouanet. Apesar de ter achado que o dinheiro do governo, ou seja, que eu suo para ganhar e pagar a eles, não precisava ser utilizado nisso. Apesar disso, foi uma exposição bem montada, e valeu a pena o dinheiro gasto.
Wall•E
Apesar de ser quase inteiro sobre robôs, e de possuir pouquíssimo diálogo, Wall E é carregado de sentimento. Impressionante como os produtores souberam trabalhar sem o0 diálogo. Por isso, ouvi muitos dizendo que esse desenho não era exatamente para crianças, o que eu discordo. Wall E não é só para crianças, e nem só para adultos, é pra qualquer um que queira se emocionar e se divertir. Gosto muito de todos os filmes da Disney, mas fazia tempo que eu não via um tão bom quanto Wall E.
A história é linda, e fala sobre amor, amizade, perseverança, esperança. Wall E é um robozinho solitário que coleciona tranqueiras que acha no meio do lixo da Terra, cuja missão é empacotar e compactar. A Terra foi abandonada pelos humanos, pois se tornou inabitável, de tanto lixo e falta de vida. Porém, um dia, a robô de reconhecimento Eve é enviada a Terra em uma missão de rotina, à procura de vida para um possível retorno dos humanos à Terra. Wall E se apaixona por Eve, e a confusão começa. Os robôs não falam quase nada, mas acho que estragaria se falassem. Tudo consegue ser dito por gestos, expressões e sons. Perfeito, como toda a animação, cada vez mais caprichada e mais realista (a poeira que o Wall E solta enquanto anda é demais).
Como é da Pixar, não e de se estranhar que Eve, a robô altamente evoluída, possui design branco e impecável como os produtos da empresa Apple, criadora da empresa. Aliás, li na internet que ela foi especialmente desenhada pelo designer da empresa, Jonathan Ive. Outras coisas lembram a empresa, como o som que Wall E faz quando se põe para recarregar, o mesmo que os computadores Apple fazem quando ligam. Ou então o iPod de primeira geração que o robô utiliza com uma lente de aumento para ver seus filmes antigos.
O final, o letreiro, é um show á parte. Ultimamente, os produtores de todas essas ótimas animações têm se dado ao luxo de deixar os créditos tão legais quanto o próprio filme. Hoje em dia, assistir aos créditos é terminar de assistir ao filme. Em Wall E, a história continua, e as animações passam por desenhos rupestres, hieroglifos, mosaicos, incrível. Tudo é completado pela canção-tema do filme, “Down to Earth”, composta e cantada pelo famoso Peter Gabriel.
Gosto muito de prestar atenção na trilha sonora, e a de Wall E não deixou a desejar. Composta por Thomas Newman e Peter Gabriel, capta a essência de sons robóticos e espaciais, e os transforma em música. A melhor delas é “Define dancing”, da hora em que Wall E e Eve dançam pelo espaço. Toda a emoção do momento, a liberdade, o amor e o espaço foram brilhantemente colocados na instrumental. A trilha também inclui ótimas músicas antigas, como “La vie en rose” de Edit Piaf, cantada por Louis Armstrong. Além disso, todos tiveram muito cuidado com toda a sonoplastia. Pelo que li em RSS na internet, contrataram o mesmo homem que cuidou dos sons de Star Wars para esse filme, ninguém mais apropriado. O resultado é uma mistura de sons engraçadinhos, e totalmente dentro do tema.
Senhores do Norte
Ler livros novos, que fazem parte de uma coleção, é um enorme problema. As Crônicas Saxônicas não são livros novos nos EUA e no Reino Unido, mas ainda assim o autor, Bernard Cornwell ainda não terminou as histórias, o que faz com que tenhamos que ficar esperando pelo próximo volume. Além disso, a editora que detém os direitos do autor aqui no Brasil, a Editora Record, demora muito para traduzir os volumes e publicá-los, o que torna tudo mais demorado ainda.
Nesse volume, Wessex está se segurando em acordos, mas Alfredo já planeja retomar os reinos dominados pelos dinamarqueses, para formar sua tão sonhada Inglaterra. Enquanto isso não acontece, Uthred aproveita para seguir para o Norte, em busca de sua terra natal, a Nortúmbria, e de sua fortaleza que lhe foi roubada. Porém, ao chegar, Uthred encontra uma terra desolada, comandada por Kjartan, um antigo inimigo viking seu, que matou seu querido pai adotivo e levou sua irmã de criação. Uthred resolve se vingar, e para isso consegue a ajuda de Guthred, um escravo que quer ser rei da Nortúmbria. Só que, para chegar ao poder, Guthred trai Uthred, que acaba como escravo de um navio. É a pior parte da vida de Uthred, mas ele consegue escapar e retorna à Nortúmbria, para assombrar Kjartan e conquistar sua fortaleza. Para isso, conta com a ajuda inesperada de alguém que já odiou.
O próximo volume, a Canção da Espada, já foi publicado, mas aí enfrentamos outro problema, o do preço. Mas, como já comecei a ler a saga e gosto muito do autor, irei adquiri-lo quando houver alguma promoção na internet.
Confissões de uma máscara
Foi bem rápido de ler, e bem curto. Porém, muito pesado, muito depressivo. Apesar de ser uma história bem pequena, é carregada de tristeza, de fardos, de mentiras.
Como o próprio nome já diz, o livro fala das máscaras que o personagem tinha que carregar em sua vida. Claro, todos nós temos que carregar várias máscaras, mas as de Yukio Mishima eram realmente pesadas, e parecia que ele gostava disso. O Japão enfrentava a época da Segunda Guerra Mundial, e o autor relata com detalhes como funcionavam as coisas naquela época, como viviam as famílias, como se davam os relacionamentos entre homens e mulheres, entre familiares, entre crianças, entre amigos.
A história é repleta das coisas que o autor queria e não tem. Coisas que podam sua alma, seu ser, o que ele realmente é. É quase insuportável ler o livro e tentar se colocar no lugar dele, que parece aceitar bem o sofrimento que carrega, quase com prazer. O personagem é masoquista, parece gostar dos fardos que carrega, da dor que sente por não poder expressar seus verdadeiros sentimentos. Tenta viver mentiras com o maior empenho possível, e sempre fracassa. Ele é homossexual, mas em nenhum instante no livro consegue ter o que quer, apesar de falar sobre isso muito intensamente. É angustiante ver que nada dá certo, nada o deixa feliz, ninguém o ampara, ninguém o entende, ninguém pode ajudá-lo, nem ele mesmo, porque ele não se permite isso. Em uma das suas tentativas de adaptação no mundo, ele fala muito a respeito de amor e desejo sexual, e de sua luta para conviver com essas duas coisas de forma harmoniosa, mais um fracasso, mais uma máscara.
O mais interessante é que, apesar de ser uma ficção, a história é baseada em fatos reais do próprio autor, que na verdade se chama Hiraoka Kimitake. Em pesquisas na Internet, descobri que esse mesmo autor já foi indicado ao Prêmio Nobel da Literatura por três vezes, e que até possui um filme que fala sobre sua vida, chamado “Mishima: Uma vida em quatro capítulos”, com trilha sonora de um dos meus compositores preferidos, o Philip Glass. Vou procurar para assistir. Além disso, tentou fundar um exército que relembrava os conceitos do bushido, o código dos samurais, e acabou com sua vida pelo seppuku, o suicídio ritualístico, enfiando uma faca na própria barriga na frente dos soldados que tinha juntado.












