O Cavaleiro da Morte
Bernard Cornwell é meu autor favorito de livros. Por causa dele, me apaixonei perdidamente pela história do Rei Artur e, posteriormente, por toda a história da Inglaterra e países próximos.
Bernard Cornwell é um historiador renomado que resolveu transformar suas pesquisas em romances desde . Com 54 livros na bagagem, ele já escreveu sobre o Rei Artur (na trilogia Crônicas de Artur), sobre as guerras napoleônicas (na série de – atualmente – 21 livros Sharpe), sobre a busca pelo Graal e, recentemente, está escrevendo as Crônicas Saxônicas, ao qual este livro que resenho agora pertence. Todos os livros possuem personagens fictícios, mas seus enredos e acontecimentos são todos baseados em fatos reais, conseguidos em suas pesquisas como historiador. Isso, na minha opinião, torna o livro muito mais interessante, já que podemos imaginar que as coisas realmente aconteceram.
Nessa série de livros, Cornwell retrata a época em que os saxões dominavam a Inglaterra, a época depois da desocupação romana e do restabelecimento do poder bretão. É engraçado notar como Cornwell modifica nossa “torcida” a cada séria de livros. Na trilogia do Rei Artur, os bretões eram os mocinhos e os saxões eram os bárbaros, a ameaça. Nessa história, torcemos para os saxões, que agora lidam com a invasão dos dinamarqueses.
Esse segundo volume é uma continuação direta do primeiro, com os acontecimentos logo depois do dia que acaba no livro. Diferente do primeiro volume, é uma má época para os saxões que, derrotados pelos vikings, tem de se refugiar no pântano. O personagem principal, Uthred, está divido entre sua lealdade ao rei Alfredo (que agora não passa de um refugiado sem terras e exército no pântano) e seus amigos vikings, que o criaram e agora o chamam para fazer parte de sua vitória. O rei Alfredo, a quem deve lealdade, é um rei erudito e doente, que não gosta de Uthred, mas se vê obrigado a tê-lo em seu exército. Uthred também não gosta de Alfredo, mas devido a algumas alianças, precisa ficar ao seu lado e liderar os homens do rei em uma última tentativa de recuperar Wessex.
Porém, os saxões não se consideram derrotados e, vagarosamente, começam a juntar um novo exército para derrubar o inimigo. Os dinamarqueses são fortes e são muitos, mas os homens que encabeçam o poder começam a disputá-lo de forma prejudicial ao sucesso de sua campanha, e essa é a chance dos saxões. Os dinamarqueses já dominaram todos os outros reinos, como Mércia, Ânglia Oriental, Nortúmbria, e agora querem Wessex. Mas Alfredo ainda não resistiu, e forma um último exército, a última esperança da Inglaterra. A batalha, que fica conhecida como batalha de Etrandun (local real, que existe até hoje), é sangrenta, mas graças à experiência de Uthred e a união dos saxões, Alfredo garante a unidade de Wessex e os dinamarqueses recuam e fazem acordos.
Além do desenvolvimento da história de Alfredo, o livro fala bastante de Uthred. Mais velho e mais maduro, ele se torna um grande e temível guerreiro, mas ainda assim tem que lidar com grandes dilemas, como seu casamento, o nascimento de seu filho, o relacionamento com suas amantes e sua vontade de reconquistar a fortaleza de seu pai, ocupada ilegalmente por seu tio.
Na minha opinião, não é tão bom quanto a trilogia do Rei Artur, mas isso se deve a minha preferência por esta história, mas ainda assim, considero que Cornwell domina muito bem a técnica de fazer romances históricos, o que faz desse conjunto de livros um best seller.
Ópera Madama Butterfly
Sempre foi um dos meus sonhos conhecer o Theatro Municipal de São Paulo. Queria ver alguma coisa nele, queria entrar para conhecer, ver por dentro. Eu vi que tinha essa oportunidade quando fiquei sabendo que estaria passando a famosa ópera Madama Butterfly, em uma pequena temporada. Adquiri um par de ingressos com mais de um mês de antecedência, por dez reais com a carteira de estudante (fiquei satisfeita em encontrar esse valor, pois deve ter tornado o espetáculo acessível para mais pessoas). Uma boa oportunidade, assistir uma ópera, que eu nunca tinha visto, em um lugar que eu queria muito conhecer.
O lugar em volta é bonito à noite, mas não é bem freqüentado, infelizmente. Uma pena, pois parecia que, antigamente, o lugar era bem mais glamuroso. A fila da entrada foi formada, pessoas que se achavam mais importantes queriam entrar primeiro, tirar fotos na entrada. Porém, isso não impediu que eu me emocionasse ao entrar lá, ao ver como era lindo lá dentro. Eu imaginava algo como o Museu do Ipiranga, e não me decepcionei. Um dos lugares mais lindos que eu já vi na vida.
Apesar de ter passado por algumas reformas em 1991, o prédio ainda está um pouco maltratado. Na área em que eram vendidos os alimentos, era possível ver descascados na parede, falta de pintura e algumas rachaduras no teto. Entretanto, todo o resto do teatro parecia muito bem conservado, e contava com modernidades. Saídas de emergência, acesso para deficientes, placas iluminadas que indicavam as direções e um display que mostrava o diálogo do espetáculo (extremamente útil para mim).
Um livreto da ópera em mãos, óculos e estava pronta para começar. Já tinha ouvido falar do enredo da ópera, então já sabia o final. Minha mãe possui o LP, e já vi algumas apresentações na televisão. Mas não achava que ia me impressionar tanto com a ópera ao vivo. Os som dos instrumentos sendo afinados, a voz da cantora, os personagens atuando. Uma das coisas que mais me cativou é como a música, a letra, a intensidade, a emoção colocada nas vozes dá o tom de toda a história. Foi legal perceber para quê serve a ópera, para quê serve um espetáculo cantado, e não apenas atuado como uma peça normal.
Outra coisa muito diferente foi o cenário. Mesmo sendo apenas um cenário de um exterior de uma casa, a colocação e a retirada de itens pelos personagens, feita de forma perceptível mas sutil, modificava todo clima. Somado a isso, a iluminação mudava completamente, de acordo com o período do dia ou da estação do ano. Lendo o livreto da ópera no intervalo, fiquei sabendo que a criadora do cenário era ninguém menos do que a artista Thomie Othake que, no final do espetáculo, se levantou para ser aplaudida, junto com o filho. A cantora, no dia em que eu fui, foi a soprano japonesa Eiko Senda, na direção de Jorge Takia.
A história, uma obra de Giacomo Puccini, fala muito a respeito das diferenças entre o Ocidente e o Oriente, nas visões da pequena mulher oriental conhecida como Butterfly, que se casa com o General Pinkerton achando que este o amava. Mas ele vai embora, prometendo voltar, e deixa Butterfly grávida. Essa o espera por alguns anos e, quando ele volta, ela descobre que ele se casou com uma americana, e que realmente não dava importância ao matrimônio deles. É uma amostra das diferenças de valores, de relacionamentos, das delicadezas de uma mulher e os interesses de um homem. A música e todo o cenário são também carregados de influência japonesa.
Foi uma das coisas mais bonitas que eu já assisti, e saí do teatro com os olhos cheios de lágrimas. Realmente não esperava achar tudo tão bonito e me emocionar tanto. Pretendo assistir outras óperas (com receio de não achar mais nenhuma bonita como essa), e com certeza voltar ao Theatro Municipal, para ver outros tipos de apresentações.
Catraca Livre
Depois do SampArt, mais um site que ajuda o pailistano a se divertir com qualidade nessa linda cidade que é São Paulo. Mas, além de se estender para outros locais, o grande foco do site é a busca por programas gratuitos, uma grande idéia para uma cidade em que um show custa R$ 150…
A proposta deles, por eles mesmos, é a seguinte: O Site Catraca Livre é uma experiência de jornalismo comunitário para transformar a cidade numa constante experiência de aprendizado – e não só para uma elite, mas para todos.
Nosso foco é a cidade de São Paulo, onde diariamente fazemos um levantamento das possibilidades de diversão e aprendizado gratuitos ou a preços populares, sempre investigando sua qualidade. Mas pretendemos ir além da simples agenda. Tirando proveito dos recursos digitais, damos dicas de leitura ou apresentamos textos complementares a partir dos eventos, para que os leitores ampliem o conhecimento e contextualizem com maior profundidade uma exposição, um filme, um show de música. Educação e cultura, em nossa visão, não se separam. Cultura é capaz de seduzir e levar os indivíduos para os mais diversos campos de conhecimento, que, muitas vezes, não faz sentido numa sala de aula
Visite o Catraca Livre e faça o programa do seu fim de semana, gastando pouco e se divertindo muito!








