Poesia também é arte
Qualquer dia desses minhas palavras
Vão escapar
Falar tudo o que tiver vontade
Tingir sofrimento
Dividir meu alento
Só queria que
Você soubesse
Você entendesse
Você percebesse
Ninguém quer dizer tudo
Todos acabam por dizer nada
Filme: 300
Tenho lido muito a respeito desse filme, tanto coisas boas como coisas ruins. A melhor coisa que eu poderia fazer era ir assistir, para ter minha própria opinião.
Na verdade, antes de qualquer pessoa assistir e tirar suas opiniões, aconselho fortemente a ler o gibi. Eu sei que todo mundo deve conhecer a história dos Espartanos, dos Persas, ds Atenienses e de todo mundo envolvido nisso, mas vale ressaltar que este filme não foi exatamente baseado na história real, e sim, numa versão da história contada por Frank Miller, famoso roteirista e desenhista, que com seu estilo próprio, já desenhou várias HQs de sucesso, como Ronin, Sin City, Cavaleiro das Trevas, Elektra e outros. Portanto, leia o gibi e abra sua mente, pois esta é uma versão da história. Por ser uma versão, pode ser contada como bem quiser o autor, e logo chegamos à conclusão de que 300 homens contra mais de 500 mil não é real, é uma versão. Assita e curta, como eu fiz.
Por ter lido a série em gibi, já sabia do final, então pensei que poderia prestar mais atenção aos detalhes do filme, e em como a equipe transportou a história para as telas. Apesar de já ter feito Sin City (outro HQ de Frank Miller), o criador do filme enfrentou vários desafios para fazer 300. Ao contrário de Sin City, série que possui vários volumes publicados, 300 não passava de 5 gibis finos (que recentemente foram agrupados e estão sendo vendidos em um único volume encadernado e com capa dura, versão splash). Foi preciso acrescentar novos pedaços na história, a fim da fazer o filme render um pouco mais.
Em matéria de efeitos, não há do que reclamar. Se você compara as cenas do filme que foram retiradas do gibi, vai ficar impressionado, pois são idênticas. Frank Miller gosta de usar cores e seus tons em cada cena, e isso pode ser visto também no filme. Certas horas, o filme era todo em tons de laranja e marrom, e em outras, azul, cinzas e seus tons. Perfeito. parece que as texturas foram realçadas, porque davam uma incrível idéia de estar no meio da história, perto de tudo, das pedras, dos guerreiros, da terra. Também foi muito feliz a idéia dos efeitos de vídeo aonde algumas cenas eram temporariamente deixadas em câmera lenta, para em seguida voltar ao ritmo normal (idéia copiada com qualidade de filmes como Matrix e V de Vingança, coisa dos irmãos Wachowski). Todas essas idéias vieram de Zack Snyder, o diretor do filme, que, antes de dirigir 300, era conhecido diretor de comerciais de televisão. Por ter tal conhecimento, Snyder aplicou seus dotes de forma exímia no filme. Como? Em um comercial, o diretor tem pouco mais de um minuto para conseguir a atenção do espectador. Pouco mais de um minuto para mostrar ao público tudo o que deve ser mostrado, e deve comover e cativar o público. Pois bem, Snyder aplicou isso no filme, e você prende a respiração a cada um minuto, esperando uma nova cena de ação em um filme que não pára.
Como já havia dito acima, a história é pequena e foi preciso adaptá-la para que durasse as duas horas que tem o filme. Alguns clichês normais da linguagem de cinema foram aplicados, mas isso não tirou a beleza do filme. Já li muitas pessoas dizendo que o filme não tem enredo, que se trata apenas de guerra e batalhas. Quem fala isso, não leu o gibi, e também não sabe interpretar todo o enredo e profundidade filosófica presentes no filme. A presença da mulher foi intensificada, e a Rainha desenvolve uma história própria no filme, lutando como podia pela liberdade de Esparta. Além dela, criaturas de Xerxes não existentes no gibi, deixam o filme meio manjado, mas mais interessante.
Não vá se você espera um final feliz. Apesar de Frank Miller ter “viajado na maionese” ao supor que 300 homens enfrentariam 1 milhão, a história trata de temas reais, profundos e humanos, o que, como todo mundo sabe, quase nunca termina bem. Mas vá esperando muito sentimento por trás de um tema tão terrível e desumano como a guerra, além, claro, de muito sangue, golpes incríveis, desafios, coragem, fidelidade, amizade, sarcasmo e até um pouco de humor (pouquíssimo presente no gibi).
Depois de assistir ao filme, cheguei à (minha) conclusão de que o tema geral é o Destino. Sim, porque além de todas as batalhas, romances, intrigas e tudo o mais, o filme é feito de escolhas. Escolhas que nós fazemos e a repercurssão que elas podem ter não só para nós mesmos, mas para nossos amigos, nosso povo e para a História. O que teria acontecido se Leônidas tivesse escolhido não ir para a batalha? E se tivesse acolhido o renegado de Esparta? E se tivesse se ajoelhado diante de Xerxes? É uma lição que fica para a nossa vida: sempre teremos que fazer escolhas, cabe a nós decidir qual delas e de que forma encará-las e agüentá-las.





