Toalete

dezembro 10, 2008 at 17:00 (Opinião) (, , , )

A convite de uma amiga, fui assistir Toalete, uma peça escrita por Walcyr Carrasco. Segundo ele, a peça foi escrita pela sua curiosidade em saber porque as mulheres demoram tanto no banheiro, e que necessidades satisfazem além das físicas, como a emocional e a psicológica.

No estilo comédia, a peça se passa em um banheiro público feminino localizado em um grande e luxuoso hotel. São pequenas mini-pecas dentro da maior, com várias personagens em vários casos, mas sempre com a participação da encarregada da limpeza, que está sempre lá (interpretada pela atriz Vera Mancini). O banheiro feminino recebe, ao longo do dia, hóspedes, participantes de uma convenção, executivas, prostitutas e empresárias com histórias diferentes, contadas através de dez cenas. O tema central é o que se passa dentro do banheiro e tudo que a mulher fala dentro dele, desde marido, traição e problemas sexuais.

Aliás, esse foi o grande problema que eu encontrei na peça. Apesar de acontecerem vários momentos engraçados, com situações femininas ímpares, acho exagerado o apelo sexual da peça, uma coisa desnecessária. Uso de palavras de baixo calão, cenas (cômicas) de sexo e sempre o mesmo assunto. Algumas cenas tratam de religião, de opinião sobre ricos e pobres, mas a maior parte delas descambava para o lado sexual. Acho isso muito triste, o fato de, para tornar algo engraçado, ter que adicionar o fator sexual em tudo. A esse exemplo, os filmes comédias de hoje, que parodiam outros filmes, como “Todo mundo em pânico” e “Os espartalhões”.

O elenco do espetáculo possui atrizes como Suzana Pires, Flávia Garrafa, Antonieta do Canto, Vera Mancini e o ator Renato Wiemer. Direção de Cininha de Paula.

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20º Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2008

dezembro 5, 2008 at 17:00 (Eventos, Opinião) (, , , , , , , , , , )

Desde pequena eu costumo ir à Bienal do Livro em São Paulo, mas nunca ela foi tão desinteressante. Não que as publicações, os livros não sejam interessantes, mas quando eu era pequena os livros pareciam muito mais legais. E, a cada dia que passa, os livros infantis realmente têm se tornado praticamente obras de arte, com conteúdo muito mais completo e interessante do que eu dispunha. Só que agora, esses livros não me interessam mais e, os que me interessam, estão caros. Só quando pagamos nossas próprias coisas é que percebemos o quanto elas são caras.

Acho que o maior problema do livro, no Brasil, é o seu preço. Hoje, por um livro de 200, 300 páginas, paga-se 40 reais, um preço abusivo. Não é à toa que hoje, muitas editoras sofrem com a distribuição de ebooks por toda a internet, muitas vezes trazendo aos leitores os lançamentos muito antes de serem publicados (como é o caso de Harry Potter, por exemplo).

Enfim, a Bienal, por seu volume de produtos e público, é sempre magnífica. É bom ver tantas pessoas que estão lá apenas por um motivo: os livros. Excursões de escolas lotadas de crianças estão por todos os lados, com cada pequeno arregalando os olhos para um livro mais legal do que o outro. De acordo com dados obtidos no site do evento (http://www.bienaldolivrosp.com.br) foram 11 dias, 684 horas de eventos variados, 728 mil pessoas e mais de 2 milhões de livros à venda. Para o meu bem, o bem das editoras e dos leitores, espero que tudo isso tenha sido vendido. A média de livros entre os compradores foi de 4,97, muito bom!

Aproveito aqui para divulgar meu novo blog, o ABRINDO O LIVRO, que fala sobre design de livros… não deixe de visitar!

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F.I.L.E.

novembro 30, 2008 at 17:00 (Eventos, Opinião) (, , , , , , , )

Para os alunos da nossa turma, o F.I.L.E., Electronic Lenguage International Festival, foi o local mais propício a ser visitado nesse semestre, cujo foco é arte eletrônica. O F.I.L.E. é a maior reunião de artista de arte eletrônica do Brasil, aonde podem ser vistos os melhores na cena nacional e internacional (também acontece em vários outros países, como Japão, Luanda e até uma versão também no Rio de Janeiro). Fomos visitar essa exposição na companhia do professor Fernando Fogliano.

O evento que eu mais senti ter perdido foi a rápida visita do grupo G.R.L, o Graffiti Research Lab a São Paulo. O G.R.L. é uma equipe de pesquisadores que atuam no ramo da arte intervencional, principalmente nas ruas, com intervenções luminosas. Contam com vários projetos de sucesso, que são disponibilizados inteiramente em seu site. Eles passaram rapidamente pelo Brasil, e fizeram algumas apresentações na avenida Paulista. Como inicialmente a idéia do nosso grupo era fazer algo no estilo deles, sentimos por não termos podido entrar em contato com eles.

A parte fixa da exposição, no prédio do SESI, teve a participação de mais de 300 artistas de mais de 30 nacionalidades. F.I.L.E. é um conjunto de vários festivais simultâneos: de música eletrônica, de games, inovações e grafites eletrônicos, além de cinema digital e documental. São várias áreas da cultura digital: arte interativa, games, screening, performances, discussões teóricas e, pela primeira vez, o cinema digital.

Entre as obras mais interessantes estava o LevelHead, de um espanhol. Eram três cubos que recebiam uma projeção. Mexendo os cubos, você mexia um personagem que caminhava dentro do cubo, que imitava um cômodo. Ao fazer o personagem sair pela portinha do cubo, ele aparecia no outro, como um labirinto. O trabalho Connected Memories, da brasileira Anaisa Franco, também era muito bom. Duas cabeças plásticas, com uma pequena tela atrás da cabeça cada uma, emitiam imagens aleatórias, e era permitido enviar suas próprias fotos por bluetooth, que apareciam na tela. Em Magneticos, você se posicionava na frente de uma projeção, e a câmera, captando você, começava a “colar” objetos em seu corpo.

Para relembrar meu projeto do semestre passado, o sistema de automação para casa Solus, a obra Genius Voice era um jogo/instalação interativa aonde, por meio de comando de voz, era possível comandar alguns eventos em uma maquete de casa.

Existe também a área de jogos e de filmes no F.I.L.E. que eu, pessoalmente, não gosto muito. Os filmes, quase sempre são “alternativos” e eu não entendo quase nada do que se passa. Os jogos… os jogos são normais. Com tantas obras diferentes e interativas, que mostram tudo de maneira nova, não acho muito legal ficar no “mesmo”, que eu tenho em casa.

Uma das coisas mais legais de se ver foi a obra “Piso”, da artista brasileira Rejane Cantoni. Foi interessante porque tivemos a oportunidade de conhecê-la pessoalmente em uma palestra dada pelo Senac, e ficamos sabendo da construção dessa obra e de todo o processo que foi trabalhado para que ela estivesse lá, no F.I.L.E. 2008.

O F.I.L.E. 2008 foi uma boa fonte de inspiração para o nosso semestre, e com certeza servirá como base para os trabalhos de muitas pessoas da nossa turma.

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Bee Movie

novembro 25, 2008 at 17:00 (Opinião) (, , , , , , )

A melhor idéia desse filme, que não é bem para crianças, foi deixar claro a seu público que a abelha protagonista era não só dublada pelo comediante Jerry Seinfeld, mas também incorporada por ele. Jerry Seinfeld, um dos melhores comediantes dos Estados Unidos, precursor das chamadas stand up comedy, dá toda a sua personalidade e visual à abelha. Para quem o conhece e já o assistiu em seu seriado, fica na cara que o personagem principal de Bee Movie é a versão abelhuda do comediante.

Assim como alguns outros longas animados, Bee Movie não é voltado exatamente para o público infantil. Ele pode até se divertir com as figurinhas engraçadas das abelhas, e com todo o tema cômico do filme, mas a maior parte das piadas possui repertório demais para os pequenos. Perguntas como “Você gosta de Jazz?” em uma hora que a abelha vai falar com uma humana não são feitas para crianças entenderem. Porém, como crianças se divertem com qualquer coisa que seja desenho, talvez essa seja uma estratégia da Dreamworks para deixar os pais mais animados a levarem seus filhos ao cinema, ou a comprar um DVD.

O roteiro também é do comediante, e questiona o trabalho óbvio ao qual todas as abelhas estarão sujeitas durante a vida. Uma metáfora da nossa vida. Quantas pessoas trabalham no que não querem, por razões quase sempre alheias à sua vontade? Quantas pessoas não se formaram médicas porque veio de uma família de médicos, mesmo querendo ser artista plástico? Quantas pessoas deixam de fazer o que querem para ficar trabalhando a vida toda? Em Bee Movie, o personagem central decide que não quer trabalhar no emprego que considera chato, na indústria do mel. Sai em um passeio escondido e acaba conhecendo uma mulher que defende o não-extermínio dos insetos, e salva sua vida. A partir daí se tornam amigos, e a abelha descobre que mel é comercializado em supermercados. Humanos ganham dinheiro com o mel fabricado por elas, e decide voltar à colméia, e convencer seus iguais de que está acontecendo uma enorme injustiça.

Então, as abelhas processam os humanos, e ganham. Mel não pode mais ser utilizado pelos humanos, e o mundo começa a fenecer. Com o excesso de mel que as abelhas possuem, não precisam mais ir atrás de flores, e não ocorre mais a polinização. As plantas morrem e os animais começam a morrer também. A loja de flores de sua amiga é fechada por falta de produtos. A lição que se aprende é que exageros nunca fazem bem.

A animação é uma surpresa, já que alcança padrões de empresas como a digníssima Pixar. Cenas de vôos e de grandes paisagens são muito realistas, mas pessoas ainda não estão na lista de perfeições. A trilha sonora foi fraca, nem consegui prestar atenção a ela, não chamou a atenção.

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Exposição Star Wars

novembro 20, 2008 at 17:00 (Eventos, Opinião) (, , , , , )

Como uma boa nerd que se preze, sou fã de Star Wars. Aprendi com meu pai, e quando ficamos sabendo da exposição que estaria acontecendo no Porão das Artes, no Ibirapuera, babamos. Só não babamos no preço, logicamente, que consideramos exageradamente caro. Trinta reais a inteira para entrar é um absurdo.

Enfim, era uma oportunidade imperdível, e meu pai considerou a possibilidade de não estar mais vivo quando isso acontecer de novo, então fomos. Apesar de cara, a exposição foi bem completa. Não vi tudo o que achei que fosse ver, porque faltaram muitas coisas que eu achava importantes. Isso se deveu ao fato da mesma exposição estar acontecendo, ao mesmo tempo, em outros dois países, Bruxelas e Estados, então supus que as peças tenham sido divididas. Li depois que as peças das três exposições não somaram nem 15 por cento de todo o acervo dos filmes que fica guardado em galpões na Califórnia.

Eram mais de 200 itens, entre desenhos e sketches dos filmes, vestimentas, réplicas de naves utilizadas nas filmagens, fotos, armas, bustos, peças. De todos os episódios. O cenário, o apoio produzido para acomodar as peças era bem simples e discreto, pronto apenas para dar destaque às peças. A única infelicidade foi o excesso de vidro utilizado, em conjunto com as luzes. Algumas peças eram impossíveis de serem vistas corretamente, pois eram pequenas e ficavam atrás dos vidros, muito longe. Outras, eram impossíveis de serem fotografadas, por causa do excesso de luzes e reflexos. Aliás, uma vantagem o fato de tudo poder ter sido fotografado, coisa difícil de acontecer em exposições assim, mas acho que pelo valor cobrado, nada mais justo.

Junto com as peças, textos apresentavam explicações e curiosidades a respeito de cada planeta, personagem e desenho. A famosa nave Millenium Falcon, dirigida pelo personagem Han Solo (Harrison Ford), teve sua sua criação inspirada em um hambúrguer. Era interessante também observar a precariedade das fantasias, que ficavam tão realistas depois, na hora dos filmes. Alguns desenhos possuíam comentários a lápis do próprio George Lucas, como “good job” e “well done”.

Alguns dos veículos também estavam em tamanho real, como o pod de corrida usado por Anakin Skywalker no Episódio I, o Imperial Speeder e a sensação da exposição, a nave que Anakin utilizou junto com R2D2. Havia uma holografia do Mestre Ioda, uma uma mesa repleta de várias armas utilizadas em diversos filmes, vários figurinos utilizados pela rainha Amidala, uma maquete impressionante do planeta Utapau, aonde ocorreu o último duelo entre Anakin e Obi Wan Kenobi. Havia também uma sala especial apenas para Darth Vader, com direito ao som característico da respiração do vilão.

Metade do orçamento da exposição foi bancado pela Lei Rouanet. Apesar de ter achado que o dinheiro do governo, ou seja, que eu suo para ganhar e pagar a eles, não precisava ser utilizado nisso. Apesar disso, foi uma exposição bem montada, e valeu a pena o dinheiro gasto.

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Wall•E

novembro 15, 2008 at 17:00 (Opinião) (, , , , , , , )

Apesar de ser quase inteiro sobre robôs, e de possuir pouquíssimo diálogo, Wall E é carregado de sentimento. Impressionante como os produtores souberam trabalhar sem o0 diálogo. Por isso, ouvi muitos dizendo que esse desenho não era exatamente para crianças, o que eu discordo. Wall E não é só para crianças, e nem só para adultos, é pra qualquer um que queira se emocionar e se divertir. Gosto muito de todos os filmes da Disney, mas fazia tempo que eu não via um tão bom quanto Wall E.

A história é linda, e fala sobre amor, amizade, perseverança, esperança. Wall E é um robozinho solitário que coleciona tranqueiras que acha no meio do lixo da Terra, cuja missão é empacotar e compactar. A Terra foi abandonada pelos humanos, pois se tornou inabitável, de tanto lixo e falta de vida. Porém, um dia, a robô de reconhecimento Eve é enviada a Terra em uma missão de rotina, à procura de vida para um possível retorno dos humanos à Terra. Wall E se apaixona por Eve, e a confusão começa. Os robôs não falam quase nada, mas acho que estragaria se falassem. Tudo consegue ser dito por gestos, expressões e sons. Perfeito, como toda a animação, cada vez mais caprichada e mais realista (a poeira que o Wall E solta enquanto anda é demais).

Como é da Pixar, não e de se estranhar que Eve, a robô altamente evoluída, possui design branco e impecável como os produtos da empresa Apple, criadora da empresa. Aliás, li na internet que ela foi especialmente desenhada pelo designer da empresa, Jonathan Ive. Outras coisas lembram a empresa, como o som que Wall E faz quando se põe para recarregar, o mesmo que os computadores Apple fazem quando ligam. Ou então o iPod de primeira geração que o robô utiliza com uma lente de aumento para ver seus filmes antigos.

O final, o letreiro, é um show á parte. Ultimamente, os produtores de todas essas ótimas animações têm se dado ao luxo de deixar os créditos tão legais quanto o próprio filme. Hoje em dia, assistir aos créditos é terminar de assistir ao filme. Em Wall E, a história continua, e as animações passam por desenhos rupestres, hieroglifos, mosaicos, incrível. Tudo é completado pela canção-tema do filme, “Down to Earth”, composta e cantada pelo famoso Peter Gabriel.

Gosto muito de prestar atenção na trilha sonora, e a de Wall E não deixou a desejar. Composta por Thomas Newman e Peter Gabriel, capta a essência de sons robóticos e espaciais, e os transforma em música. A melhor delas é “Define dancing”, da hora em que Wall E e Eve dançam pelo espaço. Toda a emoção do momento, a liberdade, o amor e o espaço foram brilhantemente colocados na instrumental. A trilha também inclui ótimas músicas antigas, como “La vie en rose” de Edit Piaf, cantada por Louis Armstrong. Além disso, todos tiveram muito cuidado com toda a sonoplastia. Pelo que li em RSS na internet, contrataram o mesmo homem que cuidou dos sons de Star Wars para esse filme, ninguém mais apropriado. O resultado é uma mistura de sons engraçadinhos, e totalmente dentro do tema.

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Senhores do Norte

novembro 10, 2008 at 17:00 (Opinião) (, , , , , )

Ler livros novos, que fazem parte de uma coleção, é um enorme problema. As Crônicas Saxônicas não são livros novos nos EUA e no Reino Unido, mas ainda assim o autor, Bernard Cornwell ainda não terminou as histórias, o que faz com que tenhamos que ficar esperando pelo próximo volume. Além disso, a editora que detém os direitos do autor aqui no Brasil, a Editora Record, demora muito para traduzir os volumes e publicá-los, o que torna tudo mais demorado ainda.

Nesse volume, Wessex está se segurando em acordos, mas Alfredo já planeja retomar os reinos dominados pelos dinamarqueses, para formar sua tão sonhada Inglaterra. Enquanto isso não acontece, Uthred aproveita para seguir para o Norte, em busca de sua terra natal, a Nortúmbria, e de sua fortaleza que lhe foi roubada. Porém, ao chegar, Uthred encontra uma terra desolada, comandada por Kjartan, um antigo inimigo viking seu, que matou seu querido pai adotivo e levou sua irmã de criação. Uthred resolve se vingar, e para isso consegue a ajuda de Guthred, um escravo que quer ser rei da Nortúmbria. Só que, para chegar ao poder, Guthred trai Uthred, que acaba como escravo de um navio. É a pior parte da vida de Uthred, mas ele consegue escapar e retorna à Nortúmbria, para assombrar Kjartan e conquistar sua fortaleza. Para isso, conta com a ajuda inesperada de alguém que já odiou.

O próximo volume, a Canção da Espada, já foi publicado, mas aí enfrentamos outro problema, o do preço. Mas, como já comecei a ler a saga e gosto muito do autor, irei adquiri-lo quando houver alguma promoção na internet.

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Confissões de uma máscara

novembro 5, 2008 at 17:00 (Opinião) (, , , )

Foi bem rápido de ler, e bem curto. Porém, muito pesado, muito depressivo. Apesar de ser uma história bem pequena, é carregada de tristeza, de fardos, de mentiras.

Como o próprio nome já diz, o livro fala das máscaras que o personagem tinha que carregar em sua vida. Claro, todos nós temos que carregar várias máscaras, mas as de Yukio Mishima eram realmente pesadas, e parecia que ele gostava disso. O Japão enfrentava a época da Segunda Guerra Mundial, e o autor relata com detalhes como funcionavam as coisas naquela época, como viviam as famílias, como se davam os relacionamentos entre homens e mulheres, entre familiares, entre crianças, entre amigos.

A história é repleta das coisas que o autor queria e não tem. Coisas que podam sua alma, seu ser, o que ele realmente é. É quase insuportável ler o livro e tentar se colocar no lugar dele, que parece aceitar bem o sofrimento que carrega, quase com prazer. O personagem é masoquista, parece gostar dos fardos que carrega, da dor que sente por não poder expressar seus verdadeiros sentimentos. Tenta viver mentiras com o maior empenho possível, e sempre fracassa. Ele é homossexual, mas em nenhum instante no livro consegue ter o que quer, apesar de falar sobre isso muito intensamente. É angustiante ver que nada dá certo, nada o deixa feliz, ninguém o ampara, ninguém o entende, ninguém pode ajudá-lo, nem ele mesmo, porque ele não se permite isso. Em uma das suas tentativas de adaptação no mundo, ele fala muito a respeito de amor e desejo sexual, e de sua luta para conviver com essas duas coisas de forma harmoniosa, mais um fracasso, mais uma máscara.

O mais interessante é que, apesar de ser uma ficção, a história é baseada em fatos reais do próprio autor, que na verdade se chama Hiraoka Kimitake. Em pesquisas na Internet, descobri que esse mesmo autor já foi indicado ao Prêmio Nobel da Literatura por três vezes, e que até possui um filme que fala sobre sua vida, chamado “Mishima: Uma vida em quatro capítulos”, com trilha sonora de um dos meus compositores preferidos, o Philip Glass. Vou procurar para assistir. Além disso, tentou fundar um exército que relembrava os conceitos do bushido, o código dos samurais, e acabou com sua vida pelo seppuku, o suicídio ritualístico, enfiando uma faca na própria barriga na frente dos soldados que tinha juntado.

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O Cavaleiro da Morte

outubro 30, 2008 at 17:00 (Opinião) (, , , , , )

Bernard Cornwell é meu autor favorito de livros. Por causa dele, me apaixonei perdidamente pela história do Rei Artur e, posteriormente, por toda a história da Inglaterra e países próximos.

Bernard Cornwell é um historiador renomado que resolveu transformar suas pesquisas em romances desde . Com 54 livros na bagagem, ele já escreveu sobre o Rei Artur (na trilogia Crônicas de Artur), sobre as guerras napoleônicas (na série de – atualmente – 21 livros Sharpe), sobre a busca pelo Graal e, recentemente, está escrevendo as Crônicas Saxônicas, ao qual este livro que resenho agora pertence. Todos os livros possuem personagens fictícios, mas seus enredos e acontecimentos são todos baseados em fatos reais, conseguidos em suas pesquisas como historiador. Isso, na minha opinião, torna o livro muito mais interessante, já que podemos imaginar que as coisas realmente aconteceram.

Nessa série de livros, Cornwell retrata a época em que os saxões dominavam a Inglaterra, a época depois da desocupação romana e do restabelecimento do poder bretão. É engraçado notar como Cornwell modifica nossa “torcida” a cada séria de livros. Na trilogia do Rei Artur, os bretões eram os mocinhos e os saxões eram os bárbaros, a ameaça. Nessa história, torcemos para os saxões, que agora lidam com a invasão dos dinamarqueses.

Esse segundo volume é uma continuação direta do primeiro, com os acontecimentos logo depois do dia que acaba no livro. Diferente do primeiro volume, é uma má época para os saxões que, derrotados pelos vikings, tem de se refugiar no pântano. O personagem principal, Uthred, está divido entre sua lealdade ao rei Alfredo (que agora não passa de um refugiado sem terras e exército no pântano) e seus amigos vikings, que o criaram e agora o chamam para fazer parte de sua vitória. O rei Alfredo, a quem deve lealdade, é um rei erudito e doente, que não gosta de Uthred, mas se vê obrigado a tê-lo em seu exército. Uthred também não gosta de Alfredo, mas devido a algumas alianças, precisa ficar ao seu lado e liderar os homens do rei em uma última tentativa de recuperar Wessex.

Porém, os saxões não se consideram derrotados e, vagarosamente, começam a juntar um novo exército para derrubar o inimigo. Os dinamarqueses são fortes e são muitos, mas os homens que encabeçam o poder começam a disputá-lo de forma prejudicial ao sucesso de sua campanha, e essa é a chance dos saxões. Os dinamarqueses já dominaram todos os outros reinos, como Mércia, Ânglia Oriental, Nortúmbria, e agora querem Wessex. Mas Alfredo ainda não resistiu, e forma um último exército, a última esperança da Inglaterra. A batalha, que fica conhecida como batalha de Etrandun (local real, que existe até hoje), é sangrenta, mas graças à experiência de Uthred e a união dos saxões, Alfredo garante a unidade de Wessex e os dinamarqueses recuam e fazem acordos.

Além do desenvolvimento da história de Alfredo, o livro fala bastante de Uthred. Mais velho e mais maduro, ele se torna um grande e temível guerreiro, mas ainda assim tem que lidar com grandes dilemas, como seu casamento, o nascimento de seu filho, o relacionamento com suas amantes e sua vontade de reconquistar a fortaleza de seu pai, ocupada ilegalmente por seu tio.

Na minha opinião, não é tão bom quanto a trilogia do Rei Artur, mas isso se deve a minha preferência por esta história, mas ainda assim, considero que Cornwell domina muito bem a técnica de fazer romances históricos, o que faz desse conjunto de livros um best seller.

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Ópera Madama Butterfly

outubro 24, 2008 at 13:29 (Eventos, Opinião) (, , , , , , , , , )

Sempre foi um dos meus sonhos conhecer o Theatro Municipal de São Paulo. Queria ver alguma coisa nele, queria entrar para conhecer, ver por dentro. Eu vi que tinha essa oportunidade quando fiquei sabendo que estaria passando a famosa ópera Madama Butterfly, em uma pequena temporada. Adquiri um par de ingressos com mais de um mês de antecedência, por dez reais com a carteira de estudante (fiquei satisfeita em encontrar esse valor, pois deve ter tornado o espetáculo acessível para mais pessoas). Uma boa oportunidade, assistir uma ópera, que eu nunca tinha visto, em um lugar que eu queria muito conhecer.

O lugar em volta é bonito à noite, mas não é bem freqüentado, infelizmente. Uma pena, pois parecia que, antigamente, o lugar era bem mais glamuroso. A fila da entrada foi formada, pessoas que se achavam mais importantes queriam entrar primeiro, tirar fotos na entrada. Porém, isso não impediu que eu me emocionasse ao entrar lá, ao ver como era lindo lá dentro. Eu imaginava algo como o Museu do Ipiranga, e não me decepcionei. Um dos lugares mais lindos que eu já vi na vida.

Apesar de ter passado por algumas reformas em 1991, o prédio ainda está um pouco maltratado. Na área em que eram vendidos os alimentos, era possível ver descascados na parede, falta de pintura e algumas rachaduras no teto. Entretanto, todo o resto do teatro parecia muito bem conservado, e contava com modernidades. Saídas de emergência, acesso para deficientes, placas iluminadas que indicavam as direções e um display que mostrava o diálogo do espetáculo (extremamente útil para mim).

Um livreto da ópera em mãos, óculos e estava pronta para começar. Já tinha ouvido falar do enredo da ópera, então já sabia o final. Minha mãe possui o LP, e já vi algumas apresentações na televisão. Mas não achava que ia me impressionar tanto com a ópera ao vivo. Os som dos instrumentos sendo afinados, a voz da cantora, os personagens atuando. Uma das coisas que mais me cativou é como a música, a letra, a intensidade, a emoção colocada nas vozes dá o tom de toda a história. Foi legal perceber para quê serve a ópera, para quê serve um espetáculo cantado, e não apenas atuado como uma peça normal.

Outra coisa muito diferente foi o cenário. Mesmo sendo apenas um cenário de um exterior de uma casa, a colocação e a retirada de itens pelos personagens, feita de forma perceptível mas sutil, modificava todo clima. Somado a isso, a iluminação mudava completamente, de acordo com o período do dia ou da estação do ano. Lendo o livreto da ópera no intervalo, fiquei sabendo que a criadora do cenário era ninguém menos do que a artista Thomie Othake que, no final do espetáculo, se levantou para ser aplaudida, junto com o filho. A cantora, no dia em que eu fui, foi a soprano japonesa Eiko Senda, na direção de Jorge Takia.

A história, uma obra de Giacomo Puccini, fala muito a respeito das diferenças entre o Ocidente e o Oriente, nas visões da pequena mulher oriental conhecida como Butterfly, que se casa com o General Pinkerton achando que este o amava. Mas ele vai embora, prometendo voltar, e deixa Butterfly grávida. Essa o espera por alguns anos e, quando ele volta, ela descobre que ele se casou com uma americana, e que realmente não dava importância ao matrimônio deles. É uma amostra das diferenças de valores, de relacionamentos, das delicadezas de uma mulher e os interesses de um homem. A música e todo o cenário são também carregados de influência japonesa.

Foi uma das coisas mais bonitas que eu já assisti, e saí do teatro com os olhos cheios de lágrimas. Realmente não esperava achar tudo tão bonito e me emocionar tanto. Pretendo assistir outras óperas (com receio de não achar mais nenhuma bonita como essa), e com certeza voltar ao Theatro Municipal, para ver outros tipos de apresentações.

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